
Sondagem Industrial de setembro também revela riscos ligados à instabilidade política e à política econômica; déficit da balança comercial regional cresce 23,35% no acumulado do ano
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional Campinas divulgou nesta terça-feira (23) os resultados da Pesquisa de Sondagem Industrial de setembro, realizada com empresas associadas. O levantamento abordou as expectativas da indústria para o cenário econômico e os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
De acordo com o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, 42% das empresas afirmaram que o principal desafio é o impacto dessas tarifas na cadeia de suprimentos. Já para 34% delas, o maior problema está no planejamento de longo prazo.
“A pesquisa mostrou a preocupação dos nossos associados em relação aos custos do tarifaço norte-americano. Além disso, já enfrentamos os altos custos do Brasil, como gasto público elevado, excesso de impostos e juros altos. Isso pode atingir fortemente a nossa região, embora até o momento não haja impacto significativo. Em outras localidades do Estado, os reflexos já são imediatos, o que levou o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, a intensificar a diplomacia empresarial em Washington”, destacou Toledo Corrêa.
O vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, reforçou que os efeitos concretos deverão ser sentidos e avaliados de forma mais clara nos próximos três meses.
Riscos apontados pela indústria
A sondagem também perguntou sobre os riscos para os próximos 12 a 24 meses. Para 42% das empresas, a instabilidade política representa uma ameaça. Já 58% delas apontaram as mudanças na política econômica e tributária como fator de risco.
Nos indicadores de setembro, o levantamento mostrou estabilidade em volume de produção, níveis de emprego e inadimplência das empresas, que permanecem inalterados há dois meses consecutivos. O nível de utilização da capacidade instalada está entre 70,1% e 100% para 67% das respondentes.
Balança comercial regional
O Ciesp-Campinas também apresentou os números da balança comercial da região em agosto de 2025. As exportações somaram US$ 311,7 milhões, alta de 11,14% em relação a agosto de 2024. No acumulado do ano (janeiro a agosto), as vendas externas chegaram a US$ 2,350 bilhões, crescimento de 3,67% frente ao mesmo período do ano anterior.
As importações, por outro lado, totalizaram US$ 1,325 bilhão em agosto, avanço de 14,51% sobre o mesmo mês de 2024. No acumulado, chegaram a US$ 9,509 bilhões, crescimento expressivo de 17,82%.
Com isso, o déficit comercial da região atingiu US$ 1,013 bilhão em agosto (alta de 15,59%) e US$ 7,158 bilhões no acumulado do ano – avanço de 23,35% em relação a 2024.
A corrente de comércio exterior regional (soma das exportações e importações) em agosto alcançou US$ 1,636 bilhão, 13,85% maior que em agosto de 2024. No acumulado do ano, chegou a US$ 11,859 bilhões, alta de 14,72%.
Municípios e destinos do comércio exterior
Os principais municípios exportadores em agosto foram:
-
Campinas (30%)
-
Paulínia (25,90%)
-
Sumaré (14,32%)
-
Mogi Guaçu (8%)
-
Valinhos (4,36%)
Já nas importações, lideraram:
-
Paulínia (47,47%)
-
Campinas (22,86%)
-
Hortolândia (8,30%)
-
Sumaré (7,50%)
-
Jaguariúna (5,14%)
-
Valinhos (3,49%)
Os destinos das exportações em agosto foram principalmente Estados Unidos (US$ 54,4 milhões – 17,45%), Argentina (US$ 45,52 milhões – 14,60%) e Holanda (US$ 25,39 milhões – 8,15%). Já as origens das importações foram lideradas por China (US$ 374,79 milhões – 28,28%), Estados Unidos (US$ 203,18 milhões – 17,64%) e Índia (US$ 110,28 milhões – 8,32%).
No acumulado do ano, os principais mercados de exportação da região foram Estados Unidos (US$ 450,02 milhões – 19,14%), Argentina (US$ 334,46 milhões – 14,23%) e Holanda (US$ 131,12 milhões – 5,58%). Do lado das importações, os maiores parceiros foram China (US$ 2,639 bilhões – 27,75%), Estados Unidos (US$ 1,572 bilhão – 16,53%) e Índia (US$ 706,94 milhões – 7,43%).
Perfil
O Ciesp-Campinas reúne 590 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios. Juntas, elas faturam R$ 53 bilhões por ano e empregam 97.954 colaboradores.

