quarta-feira, fevereiro 25, 2026
InícioDestaquesBotijão fracionado e com nota fiscal: o futuro do gás de cozinha...

Botijão fracionado e com nota fiscal: o futuro do gás de cozinha no Brasil

Sérgio Balbino – especialista em GLP e presidente da Gazoon | Foto: RonconGracaCom/Divulgação

O tradicional botijão de gás de 13 quilos, o famoso P13, pode estar com os dias contados no formato em que conhecemos. Após mais de 80 anos praticamente sem mudanças, o mercado do gás de cozinha no Brasil começa a se abrir para um novo modelo que promete mais concorrência, preço justo e transparência para o consumidor.

Hoje, quatro grandes distribuidoras concentram 92% do setor. Só em botijões de 13 kg, são vendidos cerca de 33 milhões de unidades por mês. Nesse formato, o consumidor é obrigado a comprar sempre o botijão cheio, mesmo que não precise de todo o gás — e ainda perde até 600 gramas que ficam no fundo e voltam para a distribuidora sem qualquer crédito.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) abriu em 2024 a Consulta Prévia nº 03/2024 e aprovou uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) que deve nortear a etapa final de mudanças. Entre as propostas, está a liberação do fracionamento do P13, permitindo ao consumidor abastecer apenas a quantidade desejada, com nota fiscal detalhando os quilos comprados — como acontece nos postos de combustível.

Segundo o especialista em GLP e gases especiais Sérgio Balbino, presidente da Gazoon, empresa sediada em Paulínia, a transformação proposta vai muito além da questão técnica.

“Mais do que uma inovação, representa devolver ao consumidor o direito de escolher, pagar somente pelo que utiliza e contar com nota fiscal que assegure total transparência.”

Como vai funcionar

O novo sistema garante que o botijão seja do consumidor, e não mais das distribuidoras, com rastreabilidade digital completa: data, local e empresa responsável pelo enchimento. Para isso, já existem etiquetas invioláveis que resistem a temperaturas de até 800 graus, sem perder as informações.

Além de ampliar os direitos do consumidor, o modelo pode reduzir custos logísticos. Atualmente, milhões de botijões viajam longas distâncias apenas para serem enchidos, encarecendo o produto e impactando o meio ambiente. Com pontos de abastecimento locais e fracionamento, o preço final tende a cair.

Impacto social

A mudança também tem forte apelo social. Hoje, uma diarista que recebe R$ 200 por dia pode gastar até R$ 150 em um botijão cheio. Com o fracionamento, será possível abastecer com R$ 30, R$ 50 ou qualquer valor disponível, trazendo mais flexibilidade e dignidade para famílias de baixa renda.

Tendência global

O fracionamento já é realidade em países como Estados Unidos, Europa, Ásia e África do Sul. No Brasil, a expectativa é que o novo modelo esteja disponível a partir de 2026, colocando o país entre as nações que modernizaram o consumo de GLP.