
Cirurgiã-dentista Salete Meiry Fernandes Bersan, mestra e doutora em Odontologia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp, explica que ranger ou apertar os dentes pode indicar tensão emocional e distúrbios do sono.
O hábito de apertar ou ranger os dentes, conhecido como bruxismo, tem chamado a atenção de especialistas por sua relação com fatores emocionais e distúrbios do sono. Estima-se que cerca de 40% dos brasileiros apresentem algum grau da condição, que pode ocorrer tanto durante o dia quanto durante o sono.
Caracterizado por movimentos involuntários da mandíbula, o bruxismo pode provocar uma série de sintomas e desconfortos, como dores na face, dores de cabeça, desgaste dentário e problemas na articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula.
De acordo com a cirurgiã-dentista Salete Meiry Fernandes Bersan, mestra e doutora em Odontologia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp (FOP/Unicamp), o bruxismo não é considerado uma doença isolada, mas uma condição de origem multifatorial.
Segundo ela, fatores neurológicos, respiratórios, comportamentais e emocionais podem influenciar no surgimento ou agravamento do problema. Situações como estresse, ansiedade, transtornos de humor e alterações no padrão do sono estão entre os principais fatores associados.
“Muitas vezes, o paciente procura atendimento por causa da dor ou do desgaste nos dentes, sem perceber que o problema pode estar relacionado ao estado emocional”, explica a especialista.
Além dos impactos na saúde bucal, o bruxismo também pode estar associado a distúrbios respiratórios, como ronco frequente e apneia obstrutiva do sono, condições que aumentam a atividade muscular involuntária durante a noite.
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas e o impacto na qualidade de vida do paciente. Em casos mais leves, o acompanhamento profissional pode ser suficiente. Já em situações com dor, desgaste dentário ou comprometimento funcional, são indicadas intervenções específicas.
Entre as opções mais utilizadas está o uso de placas oclusais, dispositivos que ajudam a proteger os dentes e reduzir a sobrecarga muscular durante o sono. Outras abordagens incluem terapias voltadas ao relaxamento da musculatura e ao controle da dor.
A especialista destaca ainda que o tratamento costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir acompanhamento psicológico e técnicas de manejo do estresse.
“O corpo muitas vezes manifesta tensões emocionais de forma involuntária, e a musculatura da face é uma das regiões mais afetadas. Por isso, cuidar da saúde mental também é fundamental para controlar o bruxismo”, afirma.
A compreensão da condição como uma manifestação que envolve fatores físicos e emocionais reforça a importância de uma visão integrada da saúde, com acompanhamento profissional adequado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

