quarta-feira, fevereiro 25, 2026
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Indústria da região de Campinas prevê piora no cenário econômico nos próximos meses, aponta Ciesp

Foto: Divulgação/ Valmir Caldana (primeiro vice-diretor do Ciesp-Campinas) e Anselmo Riso (diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas)

Empresas demonstram preocupação com tarifaço dos EUA e impactos do não cumprimento da meta fiscal brasileira

A indústria regional está pessimista com os rumos da economia brasileira nos próximos meses. Pesquisa de Sondagem Industrial divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Ciesp-Campinas revela que 83% das empresas associadas acreditam que o cenário econômico vai piorar no segundo semestre de 2025. Nenhuma delas prevê melhora.

A sondagem ainda mostrou que 64% das empresas podem enfrentar restrições caso o “tarifaço” de 50% anunciado pelos Estados Unidos seja confirmado. O dado foi destacado pelo primeiro vice-diretor da entidade, Valmir Caldana, com base em uma consulta emergencial às associadas.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, lembrou que o tema ainda está em debate no governo norte-americano, e que o Ciesp Estadual está mapeando os impactos do possível aumento tarifário em todas as suas regionais.

Entre os principais produtos exportados pelas empresas da região para os EUA estão: combustíveis e óleos minerais, caldeiras, borrachas, máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

Meta fiscal em risco

Outro fator que preocupa os empresários da região é o não cumprimento da meta fiscal brasileira. Para 67% dos entrevistados, isso deve gerar aumento dos custos operacionais, alta de juros, inflação e queda na competitividade. Outros 22% apontaram maior incerteza econômica e dificuldades de acesso ao crédito. Para 11%, a consequência será a redução da demanda interna. Nenhuma empresa respondeu que o cenário não terá impacto.

Apesar do pessimismo, a pesquisa mostrou estabilidade nos indicadores de produção, emprego e faturamento em relação ao mês anterior. Caldana destacou como ponto positivo o fato de que 44% das associadas operaram com capacidade instalada entre 70,1% e 80%, e 17% entre 80,1% e 100%.

Déficit na balança comercial regional

A balança comercial da região de Campinas segue deficitária. Em junho de 2025, as exportações somaram US$ 315,1 milhões, queda de 11,04% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a junho, as vendas externas somaram US$ 1,734 bilhão, alta de 1,33%.

As importações, por outro lado, explodiram: somaram US$ 1,283 bilhão em junho, um crescimento de 29,22% em comparação a junho de 2024. O acumulado do semestre foi de US$ 6,733 bilhões, aumento de 15,96%. Com isso, o déficit comercial da região chegou a US$ 4,999 bilhões no primeiro semestre, alta de 22,07% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os principais municípios exportadores da Regional em junho foram: Campinas (26,68%), Paulínia (25,31%), Sumaré (16,44%), Mogi Guaçu (7,21%), Santo Antônio de Posse (5,72%) e Valinhos (4,45%).

No lado das importações, lideram: Paulínia (46,64%), Campinas (19,80%), Hortolândia (9,55%), Jaguariúna (7,91%), Sumaré (6,36%) e Valinhos (4,56%).

Os Estados Unidos lideram como destino das exportações da região (US$ 56,99 milhões, ou 18,09%), seguidos por Argentina (16,05%) e Holanda (7,85%). Já os principais países de origem das importações são: China (33,41%), Estados Unidos (17,73%) e Índia (6,60%).


Perfil da entidade

A Regional Campinas do Ciesp reúne 590 empresas associadas, distribuídas por 19 municípios. Essas companhias geram R$ 53 bilhões em faturamento anual e empregam cerca de 98 mil pessoas.