
Pesquisa do Ciesp-Campinas revela que juros elevados e alto custo do crédito seguem como principais obstáculos para novos investimentos industriais.
Segundo as empresas participantes, o cenário é influenciado principalmente pelo elevado custo do crédito, pelas altas taxas de juros e pelas restrições orçamentárias para investimentos de longo prazo. O levantamento também revela que 20% das indústrias não veem necessidade de ampliar o número de máquinas devido aos ganhos de produtividade obtidos por meio da modernização e automação dos equipamentos já existentes.
Outras 20% afirmaram utilizar melhor a capacidade instalada disponível, otimizando turnos de trabalho e processos internos para extrair maior eficiência das máquinas atuais. Já 10% das empresas disseram adotar uma estratégia de mercado mais flexível, focada na customização de produtos e na agregação de valor, em vez de ampliar o volume de produção. Nenhuma associada indicou como motivo a adoção do modelo de produção enxuta, que privilegia terceirizações, inteligência e pesquisa e desenvolvimento (P&D) em detrimento da aquisição de novos equipamentos.
Para o vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, os resultados reforçam uma preocupação recorrente observada nas pesquisas mensais da entidade. “O baixo investimento da indústria na ampliação de suas máquinas ao longo dos últimos anos fica evidente quando metade das empresas aponta o custo do dinheiro como o principal problema”, destacou.
Apesar das dificuldades para investir, a Sondagem Industrial apresentou sinais moderadamente positivos em relação ao mês anterior. De acordo com Caldana, houve melhora nos indicadores de volume de produção e faturamento, ambos apontados por 50% das empresas como em crescimento. O número de funcionários aumentou para 20% das respondentes e 60% das indústrias informaram operar com utilização da capacidade instalada entre 70,1% e 100%.
“Precisamos aguardar os próximos meses para verificar se essa tendência positiva será mantida”, ponderou o dirigente.
No cenário internacional, o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, alertou para os desafios enfrentados pela economia global. Segundo ele, relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam riscos associados a conflitos prolongados, tensões geopolíticas e disputas comerciais. Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê desaceleração do comércio mundial em 2026, influenciada pelas tensões no Oriente Médio e pelo aumento dos custos de energia e transporte.
“Temos riscos logísticos e em rotas estratégicas que continuam impactando os fretes, os seguros e os custos das mercadorias importadas”, explicou Riso.
Os números da Balança Comercial Regional, entretanto, apresentaram resultados positivos para as exportações. Em maio de 2026, as vendas externas da região somaram US$ 322 milhões, valor 14,07% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, as exportações alcançaram US$ 1,4 bilhão, crescimento de 3,75%.
As importações totalizaram US$ 1,1 bilhão em maio, recuo de 3,28% na comparação anual. No acumulado de 2026, as compras externas chegaram a US$ 5,4 bilhões, queda de 0,67%.
Com isso, o déficit da balança comercial regional ficou em US$ 822 milhões em maio, redução de 8,73% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o déficit soma US$ 3,9 bilhões, resultado 2,23% menor que o registrado em 2025.
A corrente de comércio exterior da região, formada pela soma das exportações e importações, atingiu US$ 1,4 bilhão em maio, praticamente estável em relação ao ano anterior, com leve alta de 0,07%. No acumulado do ano, o volume movimentado chegou a US$ 6,8 bilhões, crescimento de 0,25%.
Entre os municípios da Regional Campinas, Campinas liderou as exportações em maio de 2026, respondendo por 39,98% do total exportado. Na sequência aparecem Paulínia (18,15%), Sumaré (10,21%), Mogi Guaçu (10,01%) e Santo Antônio de Posse (4,24%).
Já nas importações, Paulínia ocupou a primeira posição, concentrando 40,62% das compras internacionais da região, seguida por Campinas (23,36%), Santo Antônio de Posse (8,04%), Jaguariúna (7,99%) e Sumaré (6,65%).
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria regional, com compras de US$ 63,65 milhões em maio, seguidos pela Argentina, com US$ 44,71 milhões, e Portugal, com US$ 16,31 milhões.
Do lado das importações, a China manteve a liderança entre os países fornecedores da região, com US$ 301,57 milhões em vendas, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 175,86 milhões, e pela Coreia do Sul, com US$ 93,13 milhões.
Atualmente, o Ciesp-Campinas reúne 590 empresas associadas distribuídas em 19 municípios da região. Juntas, elas movimentam aproximadamente R$ 53 bilhões por ano e geram 97.954 empregos diretos.

