quinta-feira, setembro 10, 2026
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O Jogo Invisível: Violência Doméstica contra Mulheres Dispara até 28% em Dias de Futebol

Os registros de violência doméstica contra mulheres sofrem uma escalada alarmante em dias de jogos de futebol no Brasil, impulsionados pela combinação de tensões esportivas, consumo de álcool e o crescimento das apostas online. É o que revela a segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, lançada em agosto de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A pesquisa, que cruzou boletins de ocorrência de cinco capitais brasileiras entre 2023 e 2025 com o calendário dos principais campeonatos do país, acendeu o alerta vermelho nas autoridades ao constatar que os casos de lesão corporal dolosa saltam 28,8% e as ameaças sobem 27,4% quando os times entram em campo.

O Perfil das Vítimas e o Peso da Subnotificação
O relatório aponta que o impacto do calendário esportivo é ainda mais cruel para a população jovem. Mulheres na faixa de 15 a 29 anos são as principais vítimas, registrando um aumento de 44,4% em ameaças e lesões corporais nos dias de partida.

O levantamento também joga luz sobre as desigualdades estruturais no acesso à Justiça. O incremento porcentual de denúncias foi significativamente maior entre mulheres brancas (alta de 36,2% em lesões) do que entre mulheres negras (23,2%). De acordo com os pesquisadores do FBSP, a diferença não indica que mulheres negras sofram menos violência, mas sim que enfrentam barreiras severas para denunciar, como o racismo institucional e a saturação de um cotidiano violento que silencia novos registros.

O Futebol como Catalisador, Não como Causa
Especialistas alertam que o esporte em si não gera a violência, mas atua como um potente catalisador de comportamentos machistas já enraizados na sociedade. O ambiente de forte apelo emocional, somado ao abuso de bebidas alcoólicas e à frustração financeira decorrente das apostas esportivas, cria o cenário ideal para que agressores descarreguem suas frustrações dentro de casa. O estudo monitorou de perto as dinâmicas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.

Da Arena para as Leis

Diante do agravamento dos dados — que superaram os índices da primeira edição da pesquisa —, o debate migrou dos estádios para a esfera pública. Na esteira do relatório, a Prefeitura de São Paulo intensificou campanhas de conscientização em grandes arenas.

Enquanto isso, em Brasília, o Projeto de Lei 4.842/2023 ganha força no Congresso Nacional. O texto prevê a obrigatoriedade de inserção de mensagens de enfrentamento à violência doméstica durante as transmissões oficiais de rádio e TV e nos telões dos estádios, transformando o horário do jogo em um espaço de acolhimento e denúncia.