
A implantação da Reforma Tributária já preocupa 60% das indústrias da região de Campinas, segundo a Sondagem Industrial de fevereiro divulgada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional Campinas. O levantamento também aponta sinais de piora no desempenho econômico das empresas, com queda na produção, faturamento e lucratividade.
A pesquisa foi realizada com empresas associadas à entidade e analisou indicadores de desempenho industrial, além do nível de adaptação das empresas às novas regras tributárias, cuja fase de testes começou em janeiro de 2026.
De acordo com o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, os resultados acendem um alerta para o setor produtivo.
Segundo ele, a sondagem mostra redução na capacidade produtiva instalada das empresas, além de queda nas vendas, investimentos e lucros. Para Corrêa, o cenário atual reforça a necessidade de um ambiente econômico mais favorável ao empreendedorismo e à geração de empregos.
Queda em produção e faturamento
Entre os indicadores analisados, 35% das empresas relataram redução no volume de produção em fevereiro, em comparação com o mês anterior.
O faturamento caiu para 55% das empresas consultadas, enquanto 45% registraram queda na lucratividade no período.
Empresas ainda se adaptam às novas regras
A pesquisa também avaliou o nível de adaptação das indústrias à Reforma Tributária.
Entre as empresas participantes:
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40% afirmam estar totalmente adequadas às novas regras;
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40% dizem estar parcialmente adequadas;
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20% ainda não se adaptaram ao novo modelo tributário.
Para o primeiro vice-diretor do Ciesp-Campinas e diretor do Departamento Jurídico da entidade, Valmir Caldana, o fato de boa parte das empresas ainda não estar completamente preparada gera preocupação.
Segundo ele, as regionais do Ciesp têm promovido eventos e orientações para auxiliar as empresas nesse período de transição, principalmente porque a partir de 1º de abril podem começar a ser aplicadas multas às empresas que não estiverem adequadas à nova legislação.
Paulínia está entre os principais polos do comércio exterior
Os dados de comércio exterior também foram apresentados durante a divulgação da pesquisa. Em janeiro de 2026, Paulínia aparece como o segundo município que mais exportou na regional do Ciesp-Campinas, com 16,38% das vendas externas.
O ranking é liderado por Campinas (37,39%), seguido por Paulínia, Mogi Guaçu (9,52%), Sumaré (8,68%) e Valinhos (5%).
Já entre os municípios que mais importaram produtos, Paulínia ocupa a segunda posição, com 27,18% das compras internacionais da região, atrás apenas de Campinas.
Exportações e importações
No acumulado de 2025, as exportações da região atingiram US$ 3,593 bilhões, crescimento de 3,17% em relação ao ano anterior.
As importações somaram US$ 14,331 bilhões, alta de 17,22%, resultando em um déficit comercial de US$ 10,738 bilhões.
Em janeiro de 2026, as exportações da região foram de US$ 246 milhões, enquanto as importações chegaram a US$ 897,9 milhões, movimentando US$ 1,143 bilhão na corrente de comércio exterior.

