sábado, janeiro 17, 2026
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Setembro Verde reforça importância da doação de órgãos: Brasil bate recorde, mas fila ainda é de 78 mil pessoas

A doação de órgãos é o tema central do Setembro Verde, campanha que busca sensibilizar a população sobre a importância desse gesto solidário. O mês foi escolhido porque em 27 de setembro é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

Em 2024, o Brasil alcançou um recorde histórico de mais de 30 mil transplantes realizados pelo SUS, um crescimento de 18% em relação a 2022. Hoje, 88% dos transplantes nacionais são feitos pelo sistema público, o que coloca o país como referência mundial, atrás apenas dos Estados Unidos em números absolutos.

Fila de espera e desafios

Apesar do avanço, o desafio continua sendo grande: cerca de 78 mil pessoas aguardam por um transplante no país. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), a taxa de recusa familiar ainda é alta e chega a 44% dos casos.

Na região de Campinas, dados da OPO Unicamp revelam que, entre 2021 e agosto de 2025, foram registradas 403 notificações de potenciais doadores, mas apenas 122 resultaram em doações efetivas. Nesse período, foram transplantados 921 rins, 378 fígados, 106 corações, 85 pulmões e 21 pâncreas.

A importância do diálogo familiar

Um único doador pode beneficiar até 10 pessoas, já que além de órgãos também podem ser transplantados córneas, pele, ossos, vasos e válvulas cardíacas. Para especialistas, a chave está no diálogo dentro da família, já que no Brasil a doação de órgãos de um paciente falecido depende da autorização dos parentes.

Como funciona a doação

O processo começa com a identificação de um paciente em situação de morte encefálica, geralmente em decorrência de traumatismo craniano ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). O diagnóstico segue um protocolo rigoroso do Conselho Federal de Medicina (CFM), com exames clínicos, teste de apneia e exames complementares.

Confirmada a morte encefálica, o hospital notifica a OPO Unicamp, que atua em 124 cidades da região. Com a autorização da família, inicia-se a corrida contra o tempo: exames avaliam a viabilidade dos órgãos e a compatibilidade com pacientes da lista única do Ministério da Saúde, que considera critérios como urgência e tempo de espera.

Quebrando mitos

Apesar dos avanços, a doação de órgãos ainda enfrenta mitos, como a ideia de que o corpo fica desfigurado, que a família arca com custos ou que é possível escolher o receptor. Todos são equívocos: a doação é gratuita, não compromete o funeral e é aceita pela maioria das religiões.

No fim, a conscientização é o que faz diferença. Um doador pode salvar várias vidas, e a decisão depende de cada família.