terça-feira, janeiro 20, 2026
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Coletiva detalha desarticulação de esquema revelado pela Operação Spare

PGJ reforçou importância da atuação integrada para combater crime organizado

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, ao lado de representantes de diversos órgãos públicos, concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (25/9) para apresentar detalhes da Operação Spare. Também participou o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Silvio Loubeh.

As diligências tiveram como objetivo o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão destinados a desarticular um esquema voltado à exploração de jogos de azar e à comercialização de combustíveis adulterados, utilizando-se de uma fintech para dissimular os recursos ilícitos.

“As facções criminosas passaram muito tempo priorizando o tráfico de entorpecentes, mas novas estruturas têm possibilitado que elas atuem em outras frentes, inclusive na economia formal e no ambiente político”, afirmou o PGJ. Ele destacou a necessidade de uma atuação integrada entre as instituições de controle para coibir práticas adotadas pelo crime não apenas em São Paulo, mas também em outras regiões do país.

Durante a coletiva, Loubeh explicou que a investigação teve início a partir da apreensão de máquinas de crédito e débito em casas de jogos da Baixada Santista.

“Investigando as empresas que recebiam esses recursos, identificamos dois postos de combustíveis envolvidos com lavagem de dinheiro”, relatou o promotor.

As apurações levaram à identificação de uma fintech, que centralizava o montante movimentado pelo esquema.

“A partir daí, identificamos um grupo criminoso responsável pelo branqueamento de capitais não só por meio dos dois postos. Os envolvidos controlavam também outros estabelecimentos do setor de combustíveis, uma rede de motéis e empresas de fachada que movimentaram milhões de reais”, acrescentou.

O subsecretário adjunto da Receita Estadual, Paulo Ribeiro Pacello, explicou como foi possível avançar nas apurações:

“Conseguimos subsidiar a investigação demonstrando as ligações cadastrais existentes entre pessoas físicas e empresas, monitorando também os processos de abertura de novas empresas”.

Já o procurador-geral adjunto do Estado de São Paulo, Caio Cesar Guzzardi da Silva, destacou que o órgão tem atuado contra a fraude fiscal estruturada, com o objetivo de preservar recursos públicos.

“Atuamos no sentido de bloquear bens para que o dinheiro chegue ao Estado de São Paulo na forma de políticas públicas”.

A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Márcia Mendes, reforçou que a cooperação entre os órgãos tem sido essencial.

“A atuação conjunta tem sido a melhor forma de avançarmos na persecução desse tipo de conduta ilícita. A diversidade dos setores infiltrados pelo crime organizado exige um trabalho preventivo, que feche brechas para práticas espúrias”.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, anunciou novas medidas de controle:

“Estamos adotando iniciativas voltadas ao maior controle da importação de petróleo e seus derivados, assim como à identificação dos beneficiários finais de fundos de investimento. É uma série de avanços que precisaremos implementar para combater essa infiltração tão ampla”.

O comandante do Policiamento de Choque, coronel Valmor Racorti, apresentou um balanço dos resultados da operação até o momento. Segundo ele, foram apreendidos quase R$ 1 milhão em espécie, 20 celulares, computadores e uma arma de fogo.

Por fim, os representantes explicaram o nome da operação. O termo “Spare” faz referência ao boliche, quando o jogador derruba os pinos no segundo arremesso da rodada. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto: a primeira derrubou parte dos envolvidos e, agora, a Spare representa o “segundo arremesso”, com o objetivo de atingir os demais alvos e desarticular totalmente o esquema criminoso.